terça-feira, 20 de dezembro de 2005


As vezes a nossa própria mente prega-nos partidas...leva-nos a sítios onde não queríamos ir e ver coisas que não queríamos ver...é como olhar num lago e ver um reflexo dum tempo distante...sentir coisas que não queríamos sentir...de que queríamos fugir...mas ninguém foge da vida...ninguém manda...e eu...eu estou cansada de ser uma contemplativa, uma conformista...mas tenho medo...tenho duvidas...
São estas lágrimas que não me largam...que não me deixam ser feliz...que não me deixam aproveitar a felicidade que a vida me trouxe...
É a minha cabeça...a minha loucura que volta sempre...que não me deixa mesmo quando eu já me julgava sã...
É esta tristeza sem fim que me assalta e inunda sem razão aparente...alias, sem razão alguma...são fantasmas passados, vozes que gritam que não valho nada, que não sou nada, que não mereço nada...

E de repente o vazio...

O silêncio...

A paz...

O conforto numa palavra...AMOR...

Agarra a minha mão, ajuda-me a levantar e caminharei ao teu lado...mas não deixes nunca de me segurar...ou ficarei perdida...

Abraça-me e diz-me que ficarei bem...e juro que vou acreditar em ti...

Espero por ti...aqui...

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

hoje


hoje estou cansada
de tudo e de nada
desta vida que não para
da felicidade ser tão rara

queria ter a felicidade deste bebe...olhando para ele sinto paz, tranquilidade, amor, beleza...quem me dera ser ainda assim...onde está o abraço que me protege do mundo?onde estão os braços onde me sinto segura?onde está o peito onde adormeço em paz?onde está o amor que me deixa esta saudade imensa e dolorosa?

vem...vem-me buscar...vem cuidar de mim...vem-me adormecer no teu colo mas não me deixes acordar porque sem ti ao meu lado quero passar a vida a sonhar já que nos sonhos estás sempre comigo...

deixem-me descansar...deixem-me sorrir de novo com vontade e sem motivo...deixem-me recuperar forças antes de voltar à azafama desta vida...

por vezes sinto-me perdida...é por estar longe do meu Norte...

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Declaração ao luar



E de repente sinto a vida que regressa aos meus dedos gélidos e inertes...o entorpecimento passa lentamente ao mesmo tempo que regressa a inspiração...e eu escrevo...escrevo de novo, respiro de novo, sinto de novo, vejo de novo, vivo de novo! Regressei com minhas mãos ao mundo dos vivos e saudei-o com carinho e saudade...Caie uma lágrima de meus olhos...de tristeza? não...porquê tristezas? de alegria...sim...pois há hoje de novo uma fonte de palavras que brota dentro de mim...Ah a saudade da escrita, de abrir a minha alma ao mundo, de ganhar asas e voar por outros mundos como uma lagarta no seu primeiro dia de borboleta...estico as minhas assas, espreguiço depois de um longo sono e parto rumo ao sonho, ao horizonte, ao infinito desconhecido mas belo, ao pôr do sol que vejo da janela...e como me aquecem as suas cores quentes neste frio dia de inverno...envolvem-me na sua magia, enfeitiçam os meus sentidos que absorvem toda a sua energia tentando a custo segurar as réstias de mais um dia...e o sol corre a esconder-se...por momentos sinto-me vazia como o céu...de repente, vejo ao alto a lua tímida que espera que a luz acabe e o seu escureça para se fazer sentir...vejo sua água de prata banhar o chão e caminhar lentamente até meus pés, veio banhar-me em sua luz, encantar-me em seu mistério e eu sorrio e agradeço-lhe porque não me abandonou à escuridão...Minha pérola, fiel amiga de tantas noites em claro, de tantas noites sem sono, de tantas manhãs que vi nascer...quase tantas como os sois que vi desaparecer...minha lua, tu que reges as minhas noites, que despertas a alma deste pássaro noctívago e o fazes voar, sabes minha lua, que quando digo que amo o pôr do sol me julgam triste? Me acham pessimista, julgam que é da luz que me despeço com saudade nos seus últimos momentos no horizonte...pobres ignorantes...não percebem que o encanto do lusco-fusco é o de preceder a tua entrada triunfal no céu, é o de corar o azul inocente do dia com cores quentes, apaixonantes, embriagantes, que nos avisam que algo de mais grandioso está para chegar, tu...o teu encanto feminino...enfeitiçante, misteriosa...Deusa, mulher, mãe, irmã, companheira e filha...Volta-me hoje a vida aos dedos, fluí a escrita e a inspiração por eles...e é teu o primeiro texto que deles saí.
Minha lua, caminho nesta noite ao teu encontro, estico as minhas mãos em direcção ao céu e toco-te ao de leve na face...é tão suave, delicada, como a pele pessegada de um bebé...és tu que estás mais perto hoje ou sou eu que subo ao céu e me foi dado prémio de te tocar? Levanto-me. Na janela pareces ainda mais próxima...a brisa veio trazer-me o um recado...trazer-me um beijo...trazer-me um murmúrio de alguém que também te ama, que também te fala, que te pede e te pergunta por mim, porque tu minha jóia que me contemplas desse alto pedestal tudo vês, tudo ouves, amiga e mãe que consolas as nossas dores, contemplas nosso choro, apaziguas nossa saudade...mensageira dos recados que viajem entre corações...seca hoje também as nossas lagrimas...Apaga esta dor!!!! Ou então mata-me! Deixa-me morrer de amor...Porque insistes para que viva? Porque me das força e me alimentas a esperança? Deixa-me...deixa-me partir...deixa-me voar esta noite uma última vez para junto de ti...ó lua que hoje és tão branca, tão cheia de magia, tu que podes tudo o que queres dá-me um pouco da tua beleza, um pouco da tua magia, um pouco...só um pouco dessa tua alvura de paz e de tranquilidade...acalma o meu coração, diz-me que serei feliz...que seremos felizes...Diz-me ó lua, tu que me segues e me guias, se um dia vou trocar estas lágrimas por alegrias, estas dores por risos e a realidade será igual às fantasias...ilusões que unem os corações dos amantes enamorados...ouço o chamar da minha alma noutro corpo, quero correr para ela mas não consigo, não tenho forças...leva-lhe tu meu recado por favor. Diz-lhe que não chore que tenha esperança, que aguarde com perseverança o meu retorno...diz-lhe que não beijo mais doce que o do regresso depois de longa ausência...diz-lhe que o amo...dizes? Assim já me acalmas...o choro sossega...a brisa termina...a caneta, essa pouso-a quieta na janela...rasgo em mil pedaços esta carta que te escrevo e sopro...e vejo-os voar no céu como pequenas pombas brancas...Vão, vão, vão! E levem meu recado de amor, de saudade e esperança. Voem! Corram! A lua irá indicar-vos o caminho, a morada distante de parte de mim, de onde vem o choro da minha alma, de onde vem o grito da saudade!
Já é tarde...sinto o frio de novo a invadir-me...fecho a janela e invade-me um arrepio de conforto aconchegando o robe ao corpo...Despeço-me com um beijo...Boa noite minha pérola que cuidas de mim, boa noite meu amor...

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

just something


Tem dias que o corpo quebra de tanto cansaço...doe tudo, os olhos pesam, e ele grita pedindo por descanso, até a cabeça se recusa a raciocinar mais...mas não da para parar...o tempo não tem pause como no video e não nos dá chance de

poder apreciar um momento como gostariamos ou fazer algo que nos faria feliz...num mundo de pressas em que estamos sobrecarregados de trabalho onde ficou o tempo para nós?o tempo para um simples pensamento dirigido a nossa vida, aos que amamos, a nós mesmos...um tmpo para apreciar devidamente um por do sol, o cantar dum passaro, um céu estrelado...quantas vezes nem reparamos na sua beleza...

Há duas coisas na vida que deviam esticar ou então haver sem limites para felicidade de cada um de nós...tempo para apreciar a vida em todo o seu esplendor e dinheiro para nos podermos sustentar sem preocupações...

seria bom um mundo assim não?...

sábado, 29 de outubro de 2005

Sometimes I'd like to sleep for a thousand years...


o prazer do silencio...
da calma...
do sossego...
da paz...
da solidão...

onde não existem gritos...
nem choros...
nem desespero...
nem injustiças...

onde o tempo parou e paramos com ele, onde estamos sós e completos nessa solidão...o mundo ao alcanse de um gesto, um abrir de olhos, um acordar...mas até lá a simplicidade do vazio, da noite, da perfeiçao...

Lisboa

Saudade...
Desse tempo que passou
Dessa infância perdida
Desse tempo de sonho, lembrança querida
Mas que um dia acabou
E quando passo por algum lugar
Que me é familiar
É como regressar
A um tempo onde era feliz sem me preocupar

Vontade...
De partir
De deixar para trás o que passou
Ir de encontro ao que sou
E saber voltar a sorrir
De deixar
De me preocupar
E poder regressar
Àquela que me sabe completar

Essa Cidade...
Magica
Enfeitiçante
Embriagante
Mística
Que eu olho no Tejo
E ele reflecte o meu desejo
E a brisa me dá um beijo
E eu amo tudo o que vejo

Capital do meu coração
Refugio de uma lembrança
Do tempo em que era criança
E cativas-te a minha atenção
Atravesso esse rio sob o olhar do Cristo Rei
Pensando nas vezes que por ali passei
Aceitando o que fui, vendo o que sou e pensando em quem serei
Sabendo apenas que nada se

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Alma minha


Céu cinzento, nuvens escuras
Caem do céu lagrimas puras
Iguais às que caem dos olhos meus
Por não puderem olhar os teus

E eu na rua sem pressa de fugir a chuva
Provo esta água que me vem tocar os lábios
Com o toque de uma luva
Selar a veludo os segredos de que somos sábios

Esta chuva é salgada do choro de cada alma que se perde
E sofre com a separação
E eu, digo à minha que não chore
Porque já não tarda o tempo de união

Alma gémea, alma minha
Que esta saudade que se aninha
Já só me deixa viver suspirando por ti
Sonhando o futuro no presente, querendo ter-te aqui

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Por do sol

Sento-me e fecho os olhos...deixo que a minha mão encontre o papel livremente e desenhe a seu gosto as palavras que o coração sente...o vento que sopra e me vem beijar a face é reconfortante e fresco...da janela vejo que o sol se põe sobre a cidade e a tinge com as suas cor quentes de fogo, de verão...e sinto que ele está a chegar ao fim...o vento que começa a soprar mais forte tenta arrancar as folhar mais secas das arvores que vão tecendo um tapete dourado à sua volta...esse vento que sopra de longe, que faz ondular os cabelos ao sabor da sua vontade e nos faz sentir como se voássemos é ainda incerto...parou agora e eu abro os olhos...à medida que as luzes da cidade se vão acendendo o céu toma os tons de um azul profundo de veludo onde começam a assentar os mais belos diamantes...no lado oposto, revelando-se timidamente aos poucos a lua começa a tomar forma...a sua luz banha a minha janela e convida-me a sair, a procurar no escuro da noite os encantos escondidos de uma cidade quase deserta...sinto o cheiro a maresia...é a lua que na sua voz silenciosa comanda o mar e me elude os sentidos trazendo a saudade...sinto ainda a areia molhada nos pés e água salgada a banhar-me as pernas...o som do bater das ondas...o cheiro revigorante da praia e o sabor do mar na minha boca...não ouso abrir os olhos para não perder este sol que se põe na praia, esta lua que se acende no céu como uma pérola rodeada de pequenos brilhantes...o vento voltou e trouxe-me de volta à cidade...já é noite, já é tarde para sair...fico-me pela minha janela olhando o horizonte enquanto a minha alma viaja saudosamente por entre memórias distantes...

por ti

Por ti
Que me matem!
Que me levem e torturem
Que me façam provar o inferno e implorar pelo céu
Que tudo eu enfrentaria de novo por um beijo teu
Que o destino nos pregue rasteiras
E a vida imponha distância entre o teu corpo e o meu
Separar-nos?
Que tentem de todas as maneiras
Que o meu coração nunca vai deixar de ser teu
Nesta guerra do amor eu estarei nas fileiras
Disposta a lutar darei o meu sangue, a minha alma, a minha vida
Contra as saudades cruzarei todas as fronteiras
Serei livre e nunca estarei perdida
Porque tu és o meu norte
E eu sei que serei forte
E nunca serei vencida

declaração de guerra

Quem sois vós? Vós que me forçais a uma prisão sem vida. Que prendeis as minhas asas e não me deixais voar. Que acorrentais o meu corpo a uma prisão terrena e o impedis de acompanhar a minha alma ate aos céus onde pertenço. Vossas correntes são o medo. Vosso carcereiro o sofrimento. E as minhas asas? Essas levaste-as para longe de mim, para fora do meu alcance... Face às minhas lagrimas vosso desdém sobressai. Quando vos peço, imploro por misericórdia ignorais-me. E eu aconchego-me na solidão fria desta escura prisão...minha única companhia são os suspiros que dou e os soluços silenciosos que acompanham as minhas lagrimas nas noites sem fim que passo a chorar... Esta prisão não tem barras, nem paredes, nem portas, nem guardas...é de vidro, invisível aos olhos humanos, inquebrável e inviolável, afastando-me dos que tentariam libertar-me...afundando-se para longe do meu horizonte, drenado as minhas foças e esperanças e alimentando-se da minha alma...chegará a um ponto em que eu estarei longe de tudo que queria e gostava e eu já não serei eu, serei algo, criado à vossa imagem e desejo...vosso plano perfeito era à prova de tudo que conhecíeis...e eu aprisionada a leste da realidade desconhecia o meu próprio poder, a minha força, achando-me incapaz de vos fazer frente...libertar-me era impossível...fugir impensável... Mas agora, agora que reconheço as minhas armas e a minha força pretendo lutar, dar ate ao último sopro de vida em mim para alcançar a minha liberdade...a força que trago em mim é o Amor, minha arma a Esperança, e meu escudo o Coração. Não conheço vossa face. Quem sois, o que pretendeis ou que dificuldades me reservais também não conheço e não me importa conhecer. Sei apenas que esta é a minha declaração de guerra a tudo que me prende e se puser no meu caminho impedindo-me do realizar o que quero. E o que quero eu? Apenas ser feliz. Estarei pronta, enfrentarei até a morte nesta jornada, nesta luta, nesta última batalha pela liberdade, a minha liberdade! Termino esta missiva não com uma ameaça mas com um aviso, para que vós não percais vosso tempo entrando numa guerra que não podereis ganhar. A vitória em vida ou em morte será minha.

alma perdida

Ai de mim que hoje choro
Que sofro mais uma vez
Que sem saber porque desespero...
Eu disse sem saber?
Mentira....
Eu sei mas não quero saber!
Desta dor conheço a razão sem conhecer
Já me habituei a sofrer
Não procuro razões
Desconheço as respostas às questões
Lagrimas?
Já n m restam pra chorar
Dor?
Já se aninha no abrigo do meu peito
Não durmo
Não como
Deixo-me neste chão definhar
Deixo-me aqui deitada soluçar

Perdida
Abandonada
Largada
Esquecida
Na solidão das sombras da noite escura
Essas que me envolvem e me abrigam
Essas que me escondem a tristeza crua
As sombras da lapide fria
Dizendo em letras apagadas “aqui jaz frio na pedra
dura o corpo abandonado duma alma perdida”