Sinto-me presa, soltem-me as amarras! Deixem-me voar!! Deixem-me livre, ao sabor do vento, a pairar na brisa suave de uma noite de verão, como a noite de hoje, tão calma, tão sossegada, tão bela mas ao mesmo tempo tão melancólica, tão soturna...perco-me na escuridão que me rodeia, quem me faz companhia? Só as estrelas que contemplam lá do alto...belas como diamantes sob um pano de veludo negro...elas e eu...eu e elas...o resto? Um vazio...uma solidão infitina, um desespero sem fim...uma vida sem rumo, sinto-me a deriva como uma bussula sem norte...se caminho é para onde me empurram, é para onde a correria incessante do dia a dia me leva...e nesse turbilhão de gente e acontecimentos não penso, não sinto. Mas quando paro, quando chego a casa a noite e terminam os risos, as piadas, quando se faz o ultimo brinde e nos despedimos, quando os amigos vão embora e ao meu redor sobra apenas o silencio constrangedor de uma forma de vida oca, quando o que resta de manhã é apenas uma dor de cabeça e uma ressaca enorme, do álcool e da vida, volta tudo de novo...volta a dor da incompreensão, a dor da solidão, a dor da insatisfação, a dor que trás o desespero, o desespero que trás a dor...é um ciclo vicioso, um pântano de areias movediças em que me enterro cada vez mais...que me prende os movimentos, que me sufoca quase...não vivo, sobrevivo neste pântano em que me encontro, nesta escuridão em que busco desesperadamente em redor uma luz, uma mão que me puxe desta areia movediça em que me encontro, mas nessa busca, nesse espernear só consigo enterrar-me ainda mais e quem se aproxima já não me pode ajudar, já só me pode ver afundar...não consegue alcançar-me...já me perdeu...e neste momento uma ultima imagem me vem a memoria...um baloiço, uma noite quente de verão, uma agradável brisa toca-me na face e sou eu quem anda de baloiço...as estrelas como diamantes, o céu negro como um pano de veludo...eu baloiço cada vez com mais força, cada vez mais depressa...quero alcançar as estrelas!E quando chego tão perto, quando acho que estou perto de toca-las, quanto me estico e sinto o seu brilho em mim, reflectido nos meus olhos com a ânsia e felicidade de finalmente alcança-las, quando sinto que estou tão perto!...O baloiço recua, eu sou puxada para trás e tudo que vejo são os meus pés arrastados pela terra, a poeira que se levanta e as estrelas...lá em cima...brilhantes...porem inalcançaveis...
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1 comentário:
Ole
A chuva só transparece o meu estado de espírito... pensei que o tempo ia a judar a melhorar mas cada dia piora. Já não sei o que faça... a mágoa é avassaladora. depois de tudo... é dificil de digerir... desculpa mas não tenho noticias melhores para dar.
Não sei se vou aguentar muito mais.
Felicidades
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